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Relatório de empresa de auditoria é motivo de novo conflito no Santos

Santos

 

Relatório encomendado pela atual direção do Santos sobre atos praticados por gestões anteriores protagoniza novo conflito entre oposição e situação no clube.

Opositores apontam supostas irregularidades envolvendo a contratação da empresa escolhida por José Carlos Peres, alvo de dois pedidos de impeachment por outros motivos. Ao mesmo tempo, membros da diretoria usam o material pra criticar e denunciar administrações passadas.

O conselheiro José Macedo Reis, ex-controller, do clube, recolhe assinaturas para um requerimento que pede investigação por parte da Comissão de Inquérito e Sindicância sobre a contratação por parte de Peres da empresa responsável pelo trabalho.

Ao blog, ele disse já ter 18 compromissos de apoio. São necessárias 20 assinaturas.

Na outra ponta do conflito, membros da diretoria enxergam na atitude do conselheiro uma maneira de desmoralizar o relatório, pois parte dos problemas aconteceram quando ele era ”controller” do alvinegro. Reis nega essa intenção.

Falhas

Uma das principais supostas irregularidades indicadas pelo conselheiro e contador é que o Santos teria contratado uma empresa, a GF Brasil Consultoria, não habilitada para realizar auditoria.

Reis indica também que o relatório é assinado por outra empresa, a GF Brasil Auditores Independentes. Esta sim habilitada para executar uma auditoria.

A diretoria confirma a informação de que uma empresa aparece no contrato e outra assina o relatório. Porém, nega que haja irregularidade no procedimento. Diz ainda que as duas estão habilitadas para fazer auditorias.

”Sobre a questão de o grupo usar uma empresa no contrato e outra para receber (o pagamento), o grupo possui quadro CNPJs e apenas um caixa, sendo estratégia tributária da empresa”, disse ao blog a assessoria de imprensa do Santos.

A assessoria também enviou ao blog cópia das fichas cadastrais das duas empresas como forma de demonstrar que ambas poderiam desenvolver o trabalho. A GF Brasil Auditores Independentes aparece como habilitada para executar auditoria contábil e tributária.

Por sua vez, a ficha da GF Brasil Consultoria mostra que ela não pode realizar consultoria técnica específica, o que a diretoria nega ter acontecido.

A direção alega que o trabalho feito não foi uma auditoria, mas sim um relatório de recomendações para o aprimoramento de procedimentos de controle sobre os contratos de prestadores de serviço emitidos durante os exercícios de 2013 a 20017. Essa especificação aparece no documento produzido pela GF Brasil e publicado no site do clube sob o ícone ”auditoria”.

Em seu requerimento, Reis lembra que no relatório a empresa afirma que o documento é de uso exclusivo da presidência e diretoria do Santos, pois ”sua divulgação poderá levar a interpretações equivocadas sobre a natureza e finalidade dos trabalhos executados”.

Ou seja, no entender do conselheiro, Peres cometeu uma irregularidade ao tornar público o relatório. Em nota publicada em 10 de agosto no site do clube, o presidente afirmou que tomará providências para que o Santos seja ressarcido por prejuízos causados por irregularidades apontadas no relatório.

Pessoa ligada à empresa e que preferiu não se identificar disse que a GF Brasil não se incomodou com a divulgação do relatório por entender que o presidente tem esse direito.

Promessa

Reis lembra em seu requerimento que, desde a campanha, Peres prometeu realizar auditoria contratando uma empresa renomada e com fama internacional por meio de concorrência. Ele crê que a GF Brasil não preenche esses requisitos.

”Para mim a questão mais grave é a tentativa de iludir os conselheiros e associados. Ele (Peres) prometeu contratar uma auditoria de nível internacional, mas não o fez. Leva todo mundo a acreditar que contratou uma empresa de renome e aí você descobre que nem habilitada para fazer auditoria ela é”, declarou Reis ao blog.

Outra queixa do conselheiro é de que, em março, Peres teria dito ao Conselho Deliberativo que a empresa contratada trabalhou na Operação Lava Jato auxiliando as autoridades. Não há registros de que isso tenha acontecido.

Internamente, a diretoria se defende alegando que as empresas do ramo mais conhecidas no país se recusam a trabalhar com clubes de futebol.

O blog obteve propostas apresentadas ao Santos pela GF Brasil e uma concorrente, a BDO Brasil. A empresa escolhida cobrou R$ 211.200 parcelados em dez vezes e prometeu entregar o trablho em 16 semanas. A proposta perdedora cobrava R$ 360.112 em três parcelas e previa o encerramento do serviço em 20 semanas.

A GF Brasil não quis se manifestar sobre as supostas irregularidades apontadas por Reis.

Revanche?

Gente ligada à diretoria vê revanchismo na atitude do ”ex-controller”. O argumento é de que parte das irregularidades apontadas no relatório teriam acontecido enquanto ele ocupava o cargo sem que percebesse os problemas. O conselheiro ainda estaria magoado por ter sido afastado durante a gestão de Modesto.

”Não tem revanchismo e nem conflito de interesse. Só estou pedindo esclarecimentos porque essa situação está nebulosa”, rebateu Reis.

Na nota que divulgou no site do Santos, Peres afirmou que o relatório apontou, entre outras irregularidades em gestões anteriores, a compra de passagens aéreas em prol de interesses particulares, pagamento de comissões a empresários sem justificativa e contratação de profissionais sem demonstração dos serviços prestados.

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