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NBB inicia disputa de finais e destoa da realidade da confederação nacional

Basquete

Criado em meio a um cenário de desesperança há nove anos, o NBB começa a definir a partir das 14h deste sábado (27), com o primeiro de até cinco duelos entre Paulistano e Bauru, seu novo campeão na contramão do que vive o basquete nacional.

Enquanto a CBB (Confederação Brasileira de Basquete) continua suspensa pela Fiba (federação internacional) até segunda ordem em decorrência de problemas na gestão de Carlos Nunes, encerrada neste ano, a liga surfa em crescimento com arenas cheias e recordes de audiência.

Segundo a LNB (Liga Nacional de Basquete), o aumento de 86% na audiência registrado pelo SporTV da temporada 2014/15 para a 2015/16 deve ser batido. O crescimento de público nas arenas, que foi de 13% naquele período, também deve ser superado.

Se a confederação perdeu patrocínio do Bradesco após os Jogos do Rio e não pode receber verba da Lei Piva devido à suspensão, o NBB tem as finanças mais sólidas. O campeonato tem patrocínio da Caixa Econômica Federal e da Sky, além de parcerias com Avianca e Nike –o banco firmou acordo de quatro anos em 2016 e aporta R$ 5,5 milhões por temporada. Também assegurou seu lugar na grade da TV aberta, com transmissões na Band. Além disso, desde 2014 a NBA é parceira comercial. “Nesta temporada, o investimento para a organização do NBB e a manutenção da liga chegar a R$ 9,8 milhões”, disse Sergio Domenici, superintendente do campeonato. “Em todas as edições terminamos fora do vermelho. Não tenho nem sequer cheque especial”, completou.

Presidente da LNB, João Fernando Rossi afirmou que todo o dinheiro excedente é reinvestido na organização. Na visão dele, porém, o que dá o tom da empreitada bem-sucedida é o fato de os próprios clubes participantes gerirem o campeonato. À parte a chancela para que ele seja realizado, a CBB não tem qualquer ingerência nele. Tal formato entrou em vigor no lançamento do NBB, que surgiu como dissidência à confederação em 2009. A entidade que gerencia o basquete no país concordou em deixar que os clubes promovessem uma competição nacional já que ela própria não dava conta. Em 2006, por exemplo, o torneio acabou sem sagrar um campeão.

O maior problema para a implementação, segundo Rossi, foi a falta de credibilidade na época. “Ninguém acreditava no basquete. Nenhuma televisão, mídia ou patrocinador”, afirmou. “O cenário na época era de desesperança”, afirmou Paulo Bassul, que em 2008 dirigia a seleção feminina e hoje é gerente técnico do NBB.

Rossi, Domenici e Bassul gostam de dizer que a gestão do campeonato nacional em voga é “horizontal”. Há um conselho de administração composto de nove clubes, além do presidente e do vice. O presidente tem mandato de dois anos com possibilidade de reeleição por mais dois.

Uma das primeiras iniciativas foi priorizar a comunicação. Neste ano, foi assinada uma parceria com o Facebook e 39 jogos foram transmitidos ao vivo. A média foi de 45,7 mil espectadores únicos por transmissão. Em quadra, o maior sucesso foi o Jogo das Estrelas, que, em março, no ginásio do Ibirapuera, com ingressos esgotados.Além de tocar o NBB, cuja duração é de oito meses, a liga também é responsável por organizar uma liga de desenvolvimento e uma divisão de acesso, chamada Liga Ouro.

Jogaram nessa competição de desenvolvimento Cristiano Felício, hoje no Chicago Bulls, e Bruno Caboclo, que defende o Toronto Raptors. O principal intuito dessa “mini-liga” é servir de laboratório para jovens atletas, técnicos e árbitros.

Apesar da maré positiva, a LNB não está isenta de problemas. O principal foi causado pela CBB. Com a suspensão imposta pela federação internacional, os clubes estão impedidos de jogar torneios internacionais e até árbitros do país são barrados. “A crise da CBB respinga demais na gente”, lamentou Rossi. “Estamos torcendo muito para essa nova gestão da confederação, porque com o basquete forte todos ganham. não adianta a liga estar forte e a CBB fraca.”

Em março, o ex-jogador e empresário Guy Peixoto foi eleito para presidir a entidade. Ele espera derrubar a punição agora em junho.

Há questões de ordem interna na LNB também. A espera por uma verba federal, que não veio, acabou comprometendo a última edição da liga de desenvolvimento. Na competição principal, o Rio Claro, time tradicional da modalidade, abandonou o torneio poucos dias antes do início desta edição por falta de recursos. Outra preocupação reside na qualidade das arenas. A maioria das equipes tem ginásios de estrutura arcaica.

Um fator complicador é a dependência do poder público em muitas praças. Nem todos os clubes têm autonomia sobre os ginásios onde mandam suas partidas. Esse é um problema que afeta, inclusive, as finais da liga. Os locais do terceiro jogo e das eventuais quarta e quinta partidas entre Bauru e Paulistano ainda estão indefinidos. Ambos os finalistas têm casas modestas para os padrões que a própria liga estipula em seu regulamento para a decisão. “Arenas são um doce problema, porque só passamos a ver isso porque elas encheram. Não era assim antes”, observou Bassul.

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PROFISSIONALIZAÇÃO

Em nove anos de operação, a LNB construiu um campeonato sobre terra arrasada. Agora avança com a edificação do NBB como marca. O próximo ato é transpor essa estabilidade e profissionalização para clubes que ainda não alcançaram a autossuficiência, suscetíveis a intempéries do mercado.

“Em termos de poder econômico, alguns clubes oscilam muito. Estão fortes numa temporada e caem muito na seguinte. Ainda são muito dependentes de um patrocínio específico”, disse Gustavo de Conti, técnico do Paulistano. Finalista, teve seu orçamento reduzido pela metade.

Antes de a nona edição começar, o cenário de crise econômica e depressão pós-Rio-2016 geravam grande temor. A desistência do Rio Claro, sem verba municipal, reforçava essa apreensão, depois de Limeira já ter se retirado em 2015. Embora as previsões catastróficas não tenham se concretizado, os jogadores foram atingidos. Os clubes diminuíram suas folhas de pagamento, e, mesmo assim, mais casos de atraso nos salários foram registrados. Campo Mourão e Liga Sorocabana foram os que apresentaram mais dificuldades.

João Pires/LNB/Divulgação
O ala-armador Alex (d) vai a sua terceira decisão seguida de NBB
O ala-armador Alex (d) vai a sua terceira decisão seguida de NBB

Agentes de jogadores acreditam que a liga poderia aplicar mecanismos de controle mais rígidos para inibir a inadimplência. Não só apertando a fiscalização, mas também com uma regulamentação que dê garantias contratuais aos atletas. Muitos clubes ainda operam com acertos verbais e emissão de recibos. “A partir do ano que vem, a intenção é que todos tenham contratos. Facilita a cobrança, para qualquer problema que venha a acontecer”, disse Guilherme Teichmann, presidente da associação dos jogadores. O ala-pivô foi justamente um dos jogadores dispensados pelo Rio Claro, sem aviso prévio.

A liga entende que falta aos clubes uma gestão mais razoável de seus recursos. Pouco se investe fora de quadra, em marketing ou comunicação. Para a próxima temporada, tendo em mãos um diagnóstico detalhado de uma consultoria, o envolvimento do escritório central com as agremiações deve se aprofundar.

TEMPORADA DE SURPRESAS
Após derrubar o tetracampeão Flamengo, o Pinheiros ficou a uma vitória de despachar também outra potência do NBB, o Bauru. Mas a equipe do interior paulista resistiu e completou uma suada virada para representar o establishment na final de um campeonato marcado por surpresas. Campeã continental em 2015, disputa agora sua terceira decisão nacional consecutiva e a oitava das últimas nove competições que disputou.

O Paulistano representa a novidade. Está certo que o clube da capital foi vice-campeão em 2014, mas, três anos depois, o veterano pivô Renato Carbonari é o único remanescente daquela formação. Com menos dinheiro, a montagem do elenco passou pela aposta em jovens como o ala-armador Georginho, 21, ou mesmo o armador caçula Yago, 18. “Até para nós foi uma surpresa. Tínhamos um time de muito potencial. Para muitos, é o primeiro NBB. Outros já haviam jogado pouco, sem serem protagonistas. Mas era uma incógnita, e até poderia ter acontecido o contrário, com nós terminando em nono ou décimo”, diz o técnico Gustavo de Conti.

Entre tantos fatos inesperados da nona edição do NBB, destaca-se a queda pelas quartas de final dos quatro primeiros colocados da fase de classificação: Flamengo, Mogi, Franca e Brasília. “Não me lembro de ver algo assim acontecer. Já vivi como jogador e treinador a situação de ter o mando de quadra e perder, ou de vencer sem esse mando. Mas esse equilíbrio geral é a primeira vez que acontece”, diz Demétrius Ferracciú, técnico do Bauru, que teve a quinta melhor campanha.

Mesmo sem se posicionar entre os quatro cabeças-de-chave, o time entrou na competição como um dos candidatos ao título. No meio do caminho, o pivô Rafael Hettsheimeir, da seleção brasileira, se mandou para a Espanha. Ainda assim, Demétrius conta com outros selecionáveis, como o ala-pivô Jefferson William, 34, e ala-armador Alex Garcia, 38, que estão entre os dez principais cestinhas da competição.

Para a final, com mando de quadra, o vice-campeão das últimas duas edições também confia em sua rodagem. Peguem o armador Valtinho, 40, por exemplo. Quando ele jogava pelo Rio Claro em 1995, seis atletas do Paulistano não haviam nem nascido. Por outro lado, Demétrius tem uma rotação mais enxuta, basicamente revezando oito atletas, incluindo a revelação Gabriel “Jaú”, 18. “Precisamos primeiro ver como vamos nos adaptar ao jogo do oponente. Temos nosso ritmo, nossa característica, mas tem de se adaptar ao próximo time. Espero que a experiência se sobressaia em relação à juventude”, diz o técnico.

E qual o ritmo que De Conti espera dar à final? Pisar fundo. “Temos uma rotação maior, enquanto eles têm um núcleo de jogadores que sabem mais o que fazer na decisão. Não vou dizer tudo o que queremos fazer, mas vamos tentar aproveitar essa rotação nossa um pouco maior e tentar acelerar.”

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